segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Um dos maiores problemas ambientais é a geração de lixo, tanto industrial quanto doméstico. O lixo industrial (entendam esse termo como resíduos gerados nos processos industriais) em sua maioria, possui locais adequados e licenciados pelo órgão ambiental para destinação final, contudo o lixo doméstico somente é destinado aos aterros sanitários (adequados) ou lixões clandestinos (totalmente inadequados, pois não tem seu rejeitos coletados e destinados corretamente). Os aterros sanitários bem projetados, apesar de adequados, requerem espaço físico imenso e sua aprovação mediante o órgão ambiental requer um certo tempo.
Por isso, a reciclagem é uma das grandes soluções para diminuição da geração de resíduos. Essa reportagem apresentada no site Planeta Sustentável mostra que, na Suíça, restos de comida e plantas são transformados em gás natural, eletricidade, combustível e fertilizantes. A esse processo é dado o nome de Reciclagem Verde.
"Pesquisas comprovam que cerca de 30% do lixo doméstico, produzido nas casas, pode ser reutilizado e a reciclagem desses resíduos pode ser realizada de uma maneira muito simples, usando, como exemplo, exatamente o que acontece na natureza, ou seja, a decomposição natural. No caso do lixo orgânico, o processo de decomposição depende basicamente de umidade e calor. Restos de plantas e comida, deixados em lixões ao ar livre, se decompõem espontaneamente, após algum tempo.
Partindo desse princípio, há 20 anos, uma empresa suíça – a Kompogas - iniciou estudos com lixo orgânico, principalmente aquele proveniente de jardins e cozinhas. Hoje, ela é uma das quatro maiores empresas do mundo nesse setor e transforma o green waste (lixo dos jardins) e o biowaste (restos de verduras, frutas e alimentos) em novos produtos. Para isso, utiliza um reator de fermentação, que trabalha através de um processo anaeróbico (com ausência de oxigênio). “É um processo biológico, que ocorre também na natureza, só que, aqui, o processo acontece de forma controlada e intensiva”, afirma Peter Knecht, responsável pelas licenças internacionais da empresa. Na Suíça, existem dez fábricas Kompogas em funcionamento, cinco somente na região de Zurique, a maior cidade do país. Elas recebem o lixo orgânico vindo de comunidades municipais, hotéis, supermercados e redes de lanchonetes. Afinal, todos esses clientes são responsáveis pelo destino do lixo produzido por eles. Para essas companhias e prefeituras fica mais barato reciclar o lixo orgânico do que simplesmente “jogá-lo no lixo”. Lá, os departamentos municipais de coleta só recolhem o lixo - seja domiciliar ou industrial - que estiver dentro dos sacos oficiais das cidades. Mas, para estimular a reciclagem, esses sacos são bastante caros. Para se desfazer de cerca de uma tonelada de lixo na maneira tradicional, na região de Zurique, por exemplo, uma empresa gastaria cerca de R$ 960. Mas, para ter esse mesmo lixo entregue e reciclado numa fábrica Kompogas, o custo é de R$ 240. “Não faz o menor sentido queimar o lixo orgânico. Cada tipo de lixo tem uma maneira apropriada para ser tratado”, diz Knecht."









