
A senhora Gonçalina Aparecida de Oliveira, de São Paulo, é a fundadora do
Clube Infantil Ipê Amarelo (não tem site na web), onde ela recebe e envia sementes de árvores de várias espécies. Ela fundou esse clube devido à sua paixão pelo meio ambiente. Li o seu depoimento no site
Planeta Sustentável e achei o máximo. Se mais pessoas tivessem a iniciativa dessa senhora, o mundo seria muito melhor. Leiam:
"Aprendi a amar as plantas desde criança. Nasci em São Paulo, no tempo em que a cidade tinha mais verde. Até os 14 anos, vivi num sítio. Depois disso, os caminhos da vida me levaram para diversos endereços. Em alguns, tinha espaço para cultivar minhas plantinhas, em outros, nem lugar nem tempo. Morei em apartamentos pequenos e até dividi um quarto de pensão.
Em 1985, já casada e com minha primeira filha, Julia, na época com 1 ano, me mudei para uma casa térrea. Dessa vez, pensei, tinha o espaço que eu mais sentia falta: um quintal de terra. Mas meu marido e os palpiteiros de plantão achavam a praticidade do piso frio a melhor opção. Foi um custo fazer valer a minha opinião e pavimentar só ao redor da casa. Enfim, consegui e pude resgatar o contato com a natureza.
Minha filha mais velha e a segunda, Rubia, nascida em 1986, cresceram me vendo gostar e cuidar das plantas. Assim, as meninas também criaram o amor pela natureza. Quando caminhávamos juntas pelo bairro e elas viam galhos pela rua, queriam levá-los para casa e plantá-los. Fizemos isso muitas vezes. Então, vendo o interesse delas, sugeri - a mais velha, na ocasião com 9 anos, e a mais nova, com 6 - que criássemos em casa um clubinho para cultivar mudas.
Elas convocaram os amiguinhos da escola, mas, como a locomoção das crianças depende da boa vontade dos adultos, a idéia não foi para a frente. Foi aí que, em 1993, escrevi uma carta para um jornal dizendo que o Clube Infantil Ipê-Amarelo - nome informal criado por nós - procurava pessoas interessadas em preservar o meio ambiente. O pedido: sementes de árvores em extinção. Tive uma surpresa. Comecei a receber no meu endereço cartas de todo o Brasil. Às vezes, chegavam 30 correspondências por dia. Sempre respondi todas. Recebia - e ainda recebo - a carta selada e subscrita. Se tiver a semente que a pessoa quer, já envio, se não, guardo o envelope para encaminhá-la depois. Assim, formei uma rede de interessados e, em 1994, aluguei uma caixa postal, que até hoje permanece a mesma.
Mas, quatro anos depois, o correio me procurou, proibindo que eu colocasse as sementes em envelopes. Algumas, como as de pinhão, jatobá e açaí, são grandes e rasgam o papel. Para enviar esse tipo de espécie, comecei a confeccionar embalagens feitas de caixas de supermercado. Até hoje, agora com a ajuda da minha caçula, Livia, envio e recebo sementes de todo o país. Faço isso porque sou apaixonada por árvores. Ainda vou fundar um horto florestal e criar um documento que impeça qualquer pessoa de derrubar o que ali foi cultivado. Desse jeito, tenho a esperança de deixar o mundo mais verde."
Mais informações:
Clube Infantil Ipê-AmareloCaixa postal 46002São Paulo, SPCEP 04046-970